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Insetos que peidam

O mundo dos insetos é vasto — e também peidante. Muitos insetos produzem gases intestinais como subproduto de sua digestão, alguns em quantidades surpreendentemente grandes. Cupins em particular são conhecidos como produtores de metano climaticamente relevantes. Mas quais insetos realmente peidam, e o que isso nos diz sobre sua digestão?

Insetos e produção de gases: o básico

Assim como os vertebrados, muitos insetos abrigam comunidades microbianas em seus intestinos que produzem gases como subprodutos metabólicos. Os gases mais comuns são dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄) e hidrogênio (H₂). O quanto um inseto produz gases depende principalmente de sua dieta e dos micróbios intestinais que hospeda. Os insetos que se alimentam de material vegetal rico em celulose — como cupins, gafanhotos e baratas — têm os microbiomas intestinais mais ativos produtores de gases. Insetos carnívoros (como a maioria das formigas e vespas) produzem significativamente menos gas.

Cupins: os maiores produtores de gases entre os insetos

Os cupins são de longe os insetos mais estudados em termos de produção de gases. Seus intestinos abrigam protozoários e bactérias especializados que quebram a celulose — e produzem metano e hidrogênio como subprodutos. Estima-se que os cupins produzem globalmente 2–5 teragramas (Tg) de metano por ano — cerca de 1–3% das emissões globais de metano. Para referência: as emissões de metano de bovinos são estimadas em cerca de 100 Tg por ano, portanto os cupins produzem muito menos no total. Mas dada sua enorme biomassa global (estima-se que existam 1 quatrilhão de cupins), sua contribuição não é desprezível.

Baratas, gafanhotos e besouros

As baratas são outro grupo de insetos bem estudado em termos de produção de gases. Como onívoras com intestinos complexos, as baratas produzem quantidades mensuráveis de metano e CO₂. Curiosamente, as baratas também liberam gases de formas outras que não apenas o ânus — através da cutícula (pele) e dos espiráculos (aberturas respiratórias). Os gafanhotos são comedores de celulose e produzem gases intestinais correspondentemente. Os besouros xilófagos (comedores de madeira) hospedam bactérias especializadas que digerem a celulose e produzem metano. Os besouros dungo (estrumeiros) processam esterco e produzem volumes consideráveis de CO₂ como subproduto.

Relevância ecológica

A produção de gases dos insetos tem relevância ecológica em dois sentidos. Primeiro, como contribuição ao ciclo global de gases de efeito estufa: especialmente as emissões de metano dos cupins são incluídas nos modelos climáticos. Segundo, como parte dos processos de decomposição: os gases produzidos pelos insetos são parte do ciclo biogeoquímico em solos e madeiras em decomposição. Pesquisadores estudam os microbiomas intestinais dos insetos não apenas para entender a produção de gases, mas também para possíveis aplicações: as bactérias dos intestinos de cupins e besouros que decompõem a celulose são estudadas como potenciais biocatalisadores para a produção de biocombustíveis.

Você sabia?

Curiosidade

Em um experimento na Universidade de Ohio, pesquisadores mediram a produção de gases de baratas individuais colocando-as em câmaras herméticas com sensores de gás. O resultado: uma única barata produz em média 35 ml de CO₂ por hora — relativo ao seu peso corporal, significativamente mais do que um humano em repouso. Os pesquisadores chamaram os sujeitos do teste de 'notavelmente gaseificados'.

Fontes

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