📜 História e Cultura

Soltar gases no antigo Egito e na Mesopotâmia

As piadas escritas mais antigas da história humana são sobre flatulência. Isso não é exagero: arqueólogos e historiadores da antiguidade encontraram piadas de peidos em tabuletas de argila sumérias datadas de 1900 a.C. — e os papiros do antigo Egito contêm tratados médicos sobre gás intestinal surpreendentemente modernos em sua precisão biológica. Na antiguidade, a flatulência não era nem assunto tabu nem simples comédia — era medicina, humor e símbolo cosmológico ao mesmo tempo.

A piada mais antiga do mundo: Sumer, 1900 a.C.

A piada escrita mais antiga conhecida da história humana é uma piada sumária de peidos. A tabuleta de argila, descoberta na antiga cidade sumária de Nippur (no atual Iraque) e datada de aproximadamente 1900 a.C., contém uma versão da piada: 'Uma mulher que nunca havia saído da casa do marido soltou um pum como um boi.' Esta não é apenas a piada documentada mais antiga — é também uma piada de peido. O achado está guardado no Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia em Filadélfia. O contexto da piada não está claro, mas os especialistas do Oriente Antigo a interpretam como um comentário sobre o isolamento doméstico ou como uma típica piada de surpresa: o contraste entre a delicada modéstia feminina e um som animal bruto.

Medicina do antigo Egito: o gás intestinal como doença e remédio

O Papiro de Ebers (c. 1550 a.C.), um dos documentos médicos mais importantes da antiguidade, contém várias passagens sobre gás intestinal. Os médicos egípcios (Sechemcheri) distinguiam entre diferentes tipos de desconforto abdominal com envolvimento gastrointestinal e recomendavam diferentes tratamentos: enemas com decocções de fermento de cerveja (efetivamente eficazes, pois o fermento de cerveja contém probióticos), chás de ervas de erva-doce e anis (empiricamente plausíveis), e fórmulas rituais de encantamento (menos eficazes). Particularmente interessante: o Papiro de Smith contém uma passagem que relaciona a flatulência excessiva com problemas cardíacos — uma observação proto-médica que lembra o fenômeno dos reflexos cardíacos gastrointestinais.

Mesopotâmia: soltar gases como sinal divino

Na tradição babilônica e assíria, as funções corporais — incluindo os peidos — tinham significado mântico: podiam ser interpretadas como presságios. As coleções de presságios (as chamadas séries de presságios como 'Šumma ālu', 'se uma cidade') contêm efetivamente passagens sobre o peido inesperado como mau ou bom presságio. 'Se um homem solta um peido forte e ninguém ouve, terá dor' — tais entradas aparecem em textos de adivinhação. O peido do rei tinha significado especial: os funcionários da corte responsáveis pela interpretação das reações corporais do rei (sacerdotes baru) tinham teoricamente também que interpretar os fortes escapes de gás do rei. Isso demonstra quão profundamente as funções corporais estavam enraizadas na cosmovisão babilônica.

Grécia e Roma: os filósofos sobre os peidos

A antiga civilização grega e romana também abordou a flatulência médica e literariamente. Hipócrates (460–370 a.C.) dedicou vários trechos de seus escritos ao gás intestinal e considerava a liberação regular de gás como um sinal de digestão saudável: 'É necessário deixar passar o que quer passar.' Aristóteles analisou a composição do gás intestinal em seus escritos de ciências naturais e o descreveu como 'o resíduo úmido da digestão dos alimentos'. Aristófanes, o dramaturgo de comédias, usou regularmente piadas de peidos em suas peças — em 'As Nuvens' (423 a.C.), Sócrates debate seriamente se os mosquitos cantam por seus traseiros. A falta de distância filosófica diante das funções corporais era característica da erudição antiga.

Você sabia?

Curiosidade

A segunda tabuleta de argila mais antiga com uma piada de peido (também sumária, c. 1900 a.C.) contém uma variante que os especialistas do Oriente Antigo classificam como 'humor situacional': um cervejeiro que afirma que sua cerveja cheira 'melhor do que tâmaras' — ao que alguém responde que cheira 'como um peido'. A tabuleta está exposta no Museu Britânico em Londres. Os visitantes que leem o texto explicativo ficam, segundo o pessoal do museu, regularmente surpresos ao descobrir que o objeto diante deles é uma piada de peido de 4.000 anos.

Fontes

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