Silencioso mas mortal: a ciência do pum silencioso
O pum 'silencioso mas mortal' é um fenômeno cultural e um enigma cientificamente interessante: por que os puns silenciosos costumam cheirar mais do que os barulhentos? É apenas um mito, ou há biologia real por trás? E como um som quase inaudível pode esvaziar todo um canto da sala, enquanto um pum ensurdecedor muitas vezes não cheira? A física e a bioquímica fornecem uma explicação surpreendentemente elegante.
Alto vs. silencioso: o que determina o som?
O som de um pum é criado pela vibração do esfíncter (sphincter ani) quando o gás passa. O volume depende de três fatores: a pressão do gás (quanta quantidade sai de uma vez), a tensão do esfíncter e a velocidade do gás. Um pum barulhento ocorre quando uma grande quantidade de gás a alta pressão sai rapidamente e coloca o esfíncter em vibração rápida — semelhante a uma palheta em um instrumento. Um pum silencioso ocorre a baixa pressão e com um relaxamento lento e controlado do esfíncter.
Por que os puns silenciosos cheiram mais?
Aqui está a chave biológica: os puns barulhentos consistem em grande parte de nitrogênio — ar engolido ao comer, beber e falar. Este ar se acumula no intestino e eventualmente é liberado como um grande volume de gás a alta pressão: barulhento, mas em grande parte inodoro, pois o nitrogênio e o oxigênio não são moléculas odoríferas. Os puns silenciosos, ao contrário, surgem de gases produzidos diretamente pela fermentação bacteriana no cólon: hidrogênio, metano, CO₂ — e sobretudo sulfeto de hidrogênio (H₂S). A saída lenta permite mais contato com a camada mucosa intestinal rica em enxofre, aumentando a concentração de H₂S no gás que escapa.
A física da distribuição do gás em uma sala
Quando um pum deixa o corpo, começa a difusão do gás. Gases leves como o hidrogênio sobem rapidamente e se dispersam. Compostos mais pesados como o sulfeto de hidrogênio e os mercaptanos são mais densos que o ar e permanecem mais tempo próximos ao nível do chão — o que explica por que os odores às vezes não são percebidos até segundos após o evento e por que podem se espalhar muito longe em espaços mal ventilados.
É possível aprender a peidar silenciosamente?
Tecnicamente sim — através do relaxamento controlado do esfíncter pode-se reduzir a pressão do gás e deixá-lo escapar lentamente. Isso reduz o som mas aumenta a concentração de odor do gás que escapa. Portanto a sabedoria popular não está errada: o pum silencioso tende a cheirar mais. Outra técnica é 'separar as bochechas' — separar ligeiramente as nádegas, o que reduz a resistência ao fluxo e deixa o gás escapar sem vibração.
Você sabia?
- Os puns barulhentos consistem em grande parte de nitrogênio — ar engolido que quase não cheira.
- Os puns silenciosos contêm mais gases de fermentação concentrados como o sulfeto de hidrogênio — daí o cheiro mais forte.
- O sulfeto de hidrogênio é mais pesado que o ar e permanece mais tempo próximo ao nível do chão — por isso o odor se espalha lentamente pela sala.
- O nariz humano detecta H₂S em concentrações inferiores a uma parte por bilhão (ppb) do ar.
Curiosidade
Em um estudo informal na Universidade de Exeter (UK), pediu-se aos sujeitos que avaliassem seus próprios puns por intensidade de som e odor. O resultado: não houve correlação estatisticamente significativa entre volume e odor percebido — mas os sujeitos consistentemente superestimaram o odor de seus próprios puns barulhentos e subestimaram os silenciosos. O mito do 'silencioso mas mortal' é portanto mais do que um mito — é um viés cognitivo.
Fontes
- Suarez, F.L. et al. (1998). Insights into human colonic physiology from flatus composition. American Journal of Physiology, 272(5), G1028.
- Levitt, M.D. et al. (1996). Stability of human methanogenic flora over 35 years. FEMS Microbiology Ecology, 20(1), 9–16.
- Ohge, H. et al. (2005). Effect of antibiotics on production of hydrogen and methane. American Journal of Gastroenterology, 100(3), 703.