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SIBO e Flatulência: Quando as Bactérias Crescem no Lugar Errado

O Supercrescimento Bacteriano do Intestino Delgado (SIBO) é uma das causas mais incompreendidas e subdiagnosticadas de inchaço crónico e flatulência excessiva. Quando as bactérias que normalmente habitam o intestino grosso colonizam o intestino delgado, as consequências digestivas são significativas — e frequentemente atribuídas à síndrome do intestino irritável.

O que é o SIBO? Bactérias no lugar errado

O intestino delgado é um ambiente relativamente pobre em bactérias. Em adultos saudáveis contém aproximadamente 10³–10⁵ bactérias por mililitro de fluido intestinal, contra 10¹¹–10¹² no intestino grosso. Vários mecanismos protetores mantêm esta baixa contagem: o ácido gástrico destrói a maioria das bactérias ingeridas; a bílis e os enzimas pancreáticos têm propriedades bactericidas; a motilidade intestinal empurra as bactérias para baixo entre as refeições; e a válvula ileocecal atua como barreira física. Quando qualquer destes mecanismos falha, bactérias do cólon podem colonizar o intestino delgado. O SIBO é clinicamente definido como mais de 10⁵ unidades formadoras de colónias por mililitro de aspirado do intestino delgado proximal. O espectro clínico abrange desde inchaço leve até malabsorção grave com perda de peso e deficiências de vitaminas B12, D e nutrientes lipossolúveis.

Por que o SIBO causa gases excessivos

A ligação entre o SIBO e a flatulência é direta e mecânica. Num intestino saudável, os hidratos de carbono são absorvidos no intestino delgado antes de chegarem ao cólon rico em bactérias. Com o SIBO, as bactérias fermentam prematuramente estes hidratos de carbono, produzindo grandes volumes de hidrogénio, metano e dióxido de carbono. O resultado é um inchaço grave que aparece 15–60 minutos após as refeições. O tipo hidrogénio-dominante causa diarreia porque o hidrogénio acelera o trânsito intestinal. O tipo metano-dominante — Supercrescimento de Metanogéneos Intestinais (IMO) — causa obstipação porque o metano abranda a motilidade intestinal. Uma terceira variante, o SIBO sulfureto de hidrogénio-dominante, é conhecida por gases particularmente malcheirosos.

Diagnóstico: O teste de respiração com hidrogénio

O teste de respiração com hidrogénio oferece uma alternativa não invasiva à endoscopia. O doente fica em jejum, bebe uma solução açucarada e depois expira para sacos de recolha a intervalos regulares durante duas a três horas. Se as bactérias fermentarem o açúcar, o hidrogénio ou metano produzido é expirado pelos pulmões, criando um pico anormalmente precoce. Um aumento de 20 ou mais partes por milhão de hidrogénio em 90 minutos é considerado diagnóstico para o SIBO segundo a maioria das orientações internacionais. O teste da glicose tem maior especificidade mas deteta apenas SIBO proximal; o teste da lactulose cobre um intervalo mais amplo mas produz mais falsos positivos.

Tratamento e o problema da recorrência

O tratamento padrão de primeira linha para o SIBO é a antibioterapia com rifaximina — um antibiótico não absorvível que atua exclusivamente no lúmen intestinal. A rifaximina obtém remissão sintomática em aproximadamente 60–80% dos casos. Para o SIBO metano-dominante, a combinação com um segundo antibiótico produz resultados significativamente melhores. O principal desafio é a recorrência: sem tratar o mecanismo subjacente, as taxas de recorrência atingem 40–50% nos nove meses após o tratamento. As condições predisponentes incluem hipocloridria, motilidade intestinal comprometida, anomalias anatómicas e imunodeficiências. A dieta baixa em FODMAP pode reduzir substancialmente os sintomas sem eliminar o supercrescimento.

Sabia que?

Curiosidade

O termo SIBO só entrou no mainstream médico por volta do ano 2000, embora a condição tenha sido descrita já em 1966 por Donaldson em doentes com a síndrome da ansa cega. O moderno teste de respiração com hidrogénio permite um diagnóstico definitivo numa única visita ambulatória.

Fontes

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