Nitrogênio: o principal componente de um pum
Quando se pensa em gás intestinal, pensa-se em metano, sulfeto de hidrogênio, talvez CO₂. O que surpreende a maioria das pessoas: a maior parte de um pum — entre 59 e 79% — consiste em nitrogênio (N₂), um gás incolor e inodoro que não tem nada a ver com fermentação bacteriana. O nitrogênio vem de uma fonte completamente diferente e explica algumas das propriedades mais intrigantes do gás intestinal.
De onde vem o nitrogênio em um pum?
O nitrogênio no gás intestinal origina-se quase exclusivamente do ar engolido (o ar atmosférico é 78% nitrogênio). Enquanto come, bebe, fala e especialmente enquanto mastiga chiclete ou bebe pelo canudo, uma pessoa engole de 0,5 a 2 litros de ar por dia que entra no trato digestivo. Uma parte é expelida como arroto, enquanto o resto passa pelo estômago, intestino delgado e intestino grosso e sai do corpo como componente da flatulência. Como o nitrogênio é fisiologicamente quase inerte — não é metabolizado pelas bactérias intestinais nem absorvido em medida significativa pela mucosa intestinal — passa por todo o trato digestivo praticamente inalterado. O alto teor de nitrogênio explica por que muitos puns mal cheiram: a maior parte é um gás portador neutro em termos de odor.
A composição completa do gás intestinal
O típico gás intestinal humano é composto da seguinte forma: nitrogênio (N₂) 59–79%, dióxido de carbono (CO₂) 9–29%, hidrogênio (H₂) 0–21%, metano (CH₄) 0–26% (apenas em produtores de metano), oxigênio (O₂) 0,1–2,3%, e gases traço abaixo de 1% — incluindo sulfeto de hidrogênio (H₂S), mercaptanas, amônia e ácidos graxos voláteis. A variabilidade é enorme: dependendo da dieta, do microbioma e da fisiologia individual, a composição de um único pum pode diferir muito de outro. O que importa para o odor são exclusivamente os gases traço — particularmente H₂S, dimetilsulfeto e metanetiol (metilmercaptana).
Por que o nitrogênio afeta o volume sonoro?
O nitrogênio contribui diretamente para o volume dos puns, embora seja neutro em odor: um alto teor de nitrogênio significa um maior volume de gás passando pelo esfíncter de uma vez, causando maior vibração e, portanto, um som mais alto. É por isso que o clássico pum 'alto mas inodoro' é fisiologicamente consistente: consiste principalmente de nitrogênio e CO₂ do ar engolido — neutro em odores mas volumoso. O pum 'silencioso mas mortal', ao contrário, contém concentrações mais altas de gases de fermentação, particularmente H₂S. Este princípio está por trás do fenômeno 'silent but deadly'.
Oxigênio no intestino: um tema subestimado
Embora a proporção de oxigênio no gás intestinal seja pequena (0,1–2,3%), tem grande importância para o equilíbrio ecológico do intestino. O intestino grosso é um ambiente quase anaeróbico (livre de oxigênio) — o oxigênio é tóxico para a maioria das bactérias que vivem lá. A pequena quantidade de oxigênio que entra no intestino com o ar engolido é rapidamente consumida pelas células da mucosa e pelas bactérias anaeróbicas facultativas. A proporção de oxigênio em relação a outros gases pode ser usada como indicador de saúde intestinal: teor elevado de oxigênio no gás intestinal está associado a condições inflamatórias (colite), onde as células imunes usam o oxigênio para combater patógenos.
Você sabia?
- 59–79% de um pum consiste em nitrogênio — ar atmosférico engolido que passa pelo intestino.
- O nitrogênio é neutro em odor e contribui pouco para o cheiro — mas é responsável pela maior parte do volume e ruído.
- Apenas os gases traço que constituem menos de 1% do volume total são responsáveis pelo odor.
- O teor de oxigênio no gás intestinal é um potencial biomarcador para a saúde intestinal.
Curiosidade
Fred Suarez e seus colegas na Universidade de Minnesota conduziram um estudo nos anos 90 no qual deram aos sujeitos uma refeição especialmente projetada para produzir gás e depois analisaram cada pum individual durante 24 horas por cromatografia gasosa. Os participantes tinham que sentar em um dispositivo que capturava o gás enquanto soltavam gases. Resultado geral: uma média de 14 puns por pessoa por dia com uma média de 33 mL por pum. O mais prolífico produtor de gás produziu 53 eventos de gás em um único dia.
Fontes
- Suarez, F.L. et al. (1997). Identification of gases responsible for the odour of human flatus. Gut, 41(1), 100–106.
- Levitt, M.D. & Bond, J.H. (1970). Volume, composition, and source of intestinal gas. Gastroenterology, 59(6), 921–929.
- Tomlin, J. et al. (1991). Investigation of normal flatus production in healthy volunteers. Gut, 32(6), 665–669.