O famoso ensaio sobre peidos de Benjamin Franklin
Benjamin Franklin é lembrado como cientista, diplomata e Pai Fundador dos Estados Unidos. Menos conhecido é que ele escreveu um ensaio humorístico-científico em 1781 propondo um prêmio para quem encontrasse uma forma de tornar os peidos cheirosos. O texto — 'To the Royal Academy of Farting' — é um dos documentos mais peculiares da Iluminismo e uma crítica brilhante à ciência acadêmica.
O contexto: uma carta de Passy, 1781
Franklin escreveu o ensaio em 1781 quando era embaixador americano em Paris, em Passy. O texto foi escrito como uma carta satírica endereçada a uma Academia Real fictícia (provavelmente uma paródia das academias científicas europeias da época, particularmente a Royal Society britânica). Franklin nunca publicou o texto durante sua vida — foi impresso em seu prelo pessoal em Passy e distribuído apenas a amigos próximos. O título completo é: 'To the Royal Academy of Farting' (ou em algumas versões: 'Fart Proudly'). O texto existe em várias versões manuscritas e de cópia.
O conteúdo: uma proposta científica séria (mas não tanto)
Franklin começa observando que as academias científicas se preocupam com questões de pouca utilidade prática para a humanidade. Ele então faz uma proposta: a academia deveria oferecer um prêmio para quem descobrisse um medicamento ou método dietético que tornasse os gases intestinais humanos perfumados — de preferência com o cheiro de rosas ou pérfumes. O argumento de Franklin é notavelmente perspicaz: todo ser humano peidava vários vezes ao dia. Se esse processo inevitável pudesse ser transformado numa experiência agradável para o ambiente social, o benefício para o bem-estar humano seria imenso — muito maior do que qualquer descoberta abstrata em matemática ou filosofia natural.
A crítica subjacente: ciência útil vs. acadêmica
Por baixo do humor, o ensaio de Franklin é uma crítica séria ao academicismo da época. Franklin — ele mesmo um cientista prático conhecido por experimentos com eletricidade e pela invenção do para-raios — tinha pouca paciência com pesquisa puramente teórica sem aplicação prática. O ensaio satiriza a tendência das academias europeias de premiarem descobertas abstrusas enquanto ignoravam problemas que afetavam a vida cotidiana das pessoas. Nesse sentido, 'To the Royal Academy of Farting' é um documento filosófico iluminista genuíno — simplesmente embrulhado em flatulência.
Legado e recepção moderna
O texto de Franklin foi descoberto por pesquisadores históricos no século XX e se tornou um favorito dos historiadores da ciência e dos entusiastas de curiosidades históricas. Ele é frequentemente citado como prova de que mesmo os maiores pensadores têm um lado jovial — e que o humor escatológico não é uma invenção moderna. O título abreviado 'Fart Proudly' tornou-se o título de várias coletâneas dos escritos mais peculiares de Franklin. O ensaio também é notável do ponto de vista científico: a proposta de Franklin de modificar o odor dos peidos através da dieta é de fato biologicamente plausível — pesquisadores modernos demonstraram que certos alimentos e suplementos afetam a composição química das flatulências.
Você sabia?
- Franklin nunca publicou o ensaio durante sua vida — foi impresso apenas em seu prelo privado em Passy e distribuído a amigos próximos.
- O argumento central de Franklin — que a ciência deveria servir ao bem-estar cotidiano — é uma crítica filosófica iluminista genuína.
- A proposta de Franklin de modificar o odor dos peidos através da dieta é biologicamente plausível: pesquisadores modernos confirmaram que a dieta afeta a composição do gás.
- O ensaio é às vezes chamado de 'Fart Proudly' — título de várias coletâneas modernas dos escritos mais peculiares de Franklin.
Curiosidade
O texto de Franklin foi leiloado em 1999 na Christie's por mais de 100.000 dólares. O comprador — um colecionador americano anônimo — justificou o preço alto com o fato de que este seria 'o único texto histórico sério sobre peidos de um Pai Fundador dos Estados Unidos'. A Christie's descreveu o leilão diplomaticamente como 'a venda de um manuscrito histórico incomum'.
Fontes
- Franklin, B. (1781). To the Royal Academy of Farting. Manuscript, Passy.
- Isaacson, W. (2003). Benjamin Franklin: An American Life. Simon & Schuster.
- Lopez, C.A. (1966). Mon Cher Papa: Franklin and the Ladies of Paris. Yale University Press.
- Chaplin, J.E. (2006). The First Scientific American: Benjamin Franklin and the Pursuit of Genius. Basic Books.